Fim da escala 6 x 1: uma questão central na vida do povo brasileiro
- Fernando Mineiro

- há 7 horas
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A pauta que mais interessa ao Brasil neste primeiro semestre é o fim da escala 6x1. Essa é uma questão central porque impacta diretamente a melhoria da qualidade de vida das famílias brasileiras. Tenho conversado com muita gente, em Brasília e aqui no Rio Grande do Norte, sobre a importância social desse projeto, que sem dúvida se sobrepõe ao fator meramente econômico.
Se pararmos para pensar no modelo atual de trabalho no Brasil, perceberemos que grande parte das trabalhadoras do comércio, por exemplo, não tem sequer um dia para descanso, lazer ou mesmo um período razoável para ficar com filhos e companheiros.
Isso acontece porque, na maioria dos casos, os afazeres domésticos ocupam o tempo extra que essas mulheres teriam para cuidar de si mesmas e aproveitar o dia de descanso com a família ou da forma que acharem melhor.
Uma pesquisa do IBGE, publicada em 2022, mostrou que, enquanto as mulheres dedicam 21,3 horas semanais às tarefas domésticas e ao cuidado com outras pessoas, os homens realizam as mesmas atividades durante 11,7 horas. Ou seja, dentro de casa, as mulheres trabalham quase o dobro do tempo em comparação aos homens.
Mais delicada ainda é a situação das trabalhadoras do setor de bares e restaurantes. Como os feriados e os finais de semana são os dias de maior movimento nesses estabelecimentos, a “folga” costuma acontecer na segunda-feira — justamente quando os companheiros estão trabalhando e os filhos estão na escola. Isso significa que, também nesses casos, ficar com a família acaba não sendo uma opção. Por isso, um dia a mais de descanso representa mais qualidade de vida, mais saúde mental e melhores relações dentro de casa.
Levantamento publicado esta semana pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados mostra que 82% dos brasileiros entre 16 e 40 anos são favoráveis ao fim da escala 6x1, sem redução de salário. Considerando todas as faixas etárias, 63% apoiam o projeto, independentemente da questão salarial.
Os dados dessa pesquisa reforçam algo que venho dizendo há muito tempo sobre as conquistas das últimas décadas. Temos avançado em muitas áreas, mas avançamos ainda mais quando o povo brasileiro está em sintonia com as ideias, ações e projetos do nosso governo.
O fim da escala 6x1 já é realidade em vários países do mundo, com ganhos sociais e econômicos, e também será realidade no Brasil. Isso porque o governo Lula e a maioria do povo brasileiro estão juntos, lado a lado, em defesa de mais direitos e de uma sociedade menos injusta e desigual.
É claro que essa luta não tem sido fácil. Há uma forte pressão contra o projeto por parte de uma parcela do setor empresarial ultraconservador no Brasil, que resiste aos avanços sociais e conta com o apoio de setores da mídia conservadora. E é preciso ter muito cuidado com esse movimento.
Você provavelmente já se deparou com muitas informações alarmistas dizendo que, se o fim da escala 6x1 for aprovado, empresas vão quebrar, a inflação vai subir, o desemprego vai aumentar, entre outras afirmações que não se apoiam em estudos técnicos sérios.
Pesquisas recentes divulgadas por instituições reconhecidas, como a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Fundação Getulio Vargas (FGV), não apontam riscos de aumento do desemprego nem da informalidade. Tampouco existem exemplos históricos ou referências internacionais que indiquem prejuízos decorrentes da redução da jornada de trabalho.
Esse tipo de reação, no entanto, não é novidade. Argumentos semelhantes já foram usados em outros momentos da história do país. Nos anos 1960, por exemplo, quando o governo do presidente João Goulart instituiu o 13º salário e propôs reajustes no salário mínimo, também houve forte resistência.
O mesmo ocorreu durante a Constituição de 1988. Como lembrou nesta semana o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, naquele momento o Brasil reduziu a jornada de trabalho de 48 para 44 horas semanais. Na época, empresários e parte da mídia diziam que empresas quebrariam e que o desemprego aumentaria.
Nada disso aconteceu — e não acontecerá agora. Pelo contrário: os trabalhadores passaram a produzir mais em menos tempo, ganharam mais espaço para o descanso, o lazer e a convivência familiar, além de terem mais tempo para circular no comércio e consumir.
Diante da força das correntes ultraconservadoras que atuam no Congresso, é fundamental que trabalhadoras e trabalhadores pressionem deputados e senadores de seus estados para que o fim da escala 6x1 seja aprovado ainda no primeiro semestre de 2026.
Mudanças com impacto real na vida da população mais explorada só acontecem com mobilização popular. E essa é, sem dúvida, uma questão central para melhorar a vida do nosso povo.
Porque, no fundo, o fim da escala 6 x 1 é um debate sobre os cuidados à família. Está claro que a atual jornada de trabalho, especialmente para as mulheres, torna difícil - senão impossível - a dedicação de um tempo específico para descanso e atenção aos familiares mais próximos.
Um debate que também escancara para a sociedade quem de fato defende e protege a família, e quem se aproveita desse discurso sobre a defesa da família apenas para fazer média e esconder a exploração e o descaso a que são submetidas milhões de mulheres Brasil afora, com sua pesada jornada 6 x 1 no local de trabalho, e que chega a 7 x 0 dentro de casa.


