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Fernando Mineiro: “O responsável por esse tarifaço é o Bolsonaro”

  • Foto do escritor: Blog do Mineiro
    Blog do Mineiro
  • 10 de jul. de 2025
  • 4 min de leitura

Foto: Arquivo/Assessoria de Comunicação
Foto: Arquivo/Assessoria de Comunicação

O ataque do governo Donald Trump ao Brasil com a imposição de taxas de 50% sobre todos os produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, a partir de 1º de agosto, provocou reações distintas no país.


Na avaliação do deputado federal Fernando Mineiro (PT) o tarifaço de Trump “é a mais descarada tentativa de intervenção política, econômica e jurídica da história mundial recente”.


O parlamentar chama de “vira-latas e lesas-pátrias” os colegas que apoiam a decisão do governo norte-americano. E cita que até jornais conservadores, como o Estado de S. Paulo, publicaram editoriais duros contra a medida:

“Vestir o boné de Trump, hoje, significa alinhar-se a um troglodita que pode causar imensos danos à economia brasileira. Caso Trump leve adiante sua ameaça, Tarcísio e outros políticos embevecidos com o presidente americano terão dificuldade para se explicar com os setores produtivos afetados”, destaca um trecho do editorial do Estadão.


Nesta entrevista especial à agência SAIBA MAIS, Mineiro avalia o quadro nacional e a repercussão da inédita decisão dos EUA contra o Brasil:


SAIBA MAIS: O ataque do governo Donald Trump ao Brasil, taxando em 50% todos os produtos nacionais, gerou forte indignação até de setores alinhados ao bolsonarismo. Como o senhor viu esse ataque e como está acompanhando a repercussão?

Fernando Mineiro: Nunca imaginei que assinaria embaixo um editorial do Estadão (jornal O Estado de S. Paulo).  Mas foi o que aconteceu quando li o posicionamento da família Mesquita sobre a última “trumpalhada”. O título diz tudo: Coisa de mafiosos. No plural. Se referindo a Trump e a Bolsonaro. É a mais descarada tentativa de intervenção política, econômica e jurídica da história mundial recente. Escancarou para o mundo que os golpistas tabajaras – que não conseguiram consumar o golpe em 2022 – buscam articular, de fora, uma nova etapa do golpe contra o Brasil. Além de vira-latas, são lesas-pátrias. Já está claro para todo o Brasil que o responsável por esse tarifaço é o Bolsonaro.


O presidente Lula disse que a resposta será através da lei da reciprocidade. Na sua avaliação, qual é o objetivo de Trump?

O nosso governo respondeu e responderá à altura em defesa da soberania e da economia do país. Para além da motivação política golpista, o ato do Trump busca proteger o agro deles (e as big tecs), na linha de reforçar o protecionismo americano e falar para a sua base ideológica.


Mas a tarifa acerta em cheio o agro brasileiro, que através da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) já pediu uma resposta contundente do governo….

Pois é, resta saber como se comportará, na prática, o “agro nacional”, sabiamente alinhado à direita e à ultradireita. Aliás, as atividades golpistas de 2022 foram fortemente estimuladas e mesmo financiadas por lideranças do setor. Nessa semana mesmo, membros da Frente Parlamentar da Agricultura e do PL – com os votos do Deputado Girão e da Deputada Carla Dickson, aprovaram moção de louvor a Trump.  O ato tresloucado da aliança Trump – Bolsonaro fere de morte o modelo de relação econômica que o agro brasileiro tem com o mercado americano. Espero não ver lideranças do agro local se comportando como aquele cidadão que – na campanha eleitoral do ano passado – teve sua barraca de praia interditada pelo prefeito da cidade, mas disse que não se importava por não ter mais seu ganha pão desde que o PT fosse derrotado.


O senhor acredita que um dos alvos desse ataque é o PT?

Estamos em um momento de intensa explicitação de posicionamentos políticos. Isso é bom porque possibilita que a sociedade conheça quem é quem. Só se deixará enganar quem assim o permitir.  Mas o ódio da dupla Trump – Bolsonaro   não é apenas contra o PT. O alvo é o Brasil, assim como é todo país que não se sujeita ao fascismo. Está em curso um novo desenho geopolítico onde lideranças de ultradireita, a exemplo de Trump, Bolsonaro e outros, atuam de forma articulada. Em nosso caso, é um ataque sem precedentes à nossa soberania, colocando setores da nossa economia em risco. Entramos em uma nova etapa da disputa política em que os campos estão mais claros e definidos como nunca estiveram em nosso país. Chegou a hora da verdade: quem são mesmo os verdadeiros patriotas? Tenho certeza de que a reação a esse crime de lesa pátria irá além do PT. A maioria da população brasileira apoiará as atitudes que o governo Lula tomará em defesa da nossa soberania.


E na sua visão, que efeito esse ataque à soberania brasileira terá sobre o bolsonarismo?

O bolsonarismo poderá perder mais base social e política porque ficou escancarado que os interesses da família Bolsonaro estão acima dos interesses do país. Não se importam se inviabilizam setores da economia nacional desde que interesse a seus objetivos autoritários e golpistas. Aliás, Bolsonaro já é descartável para a elite brasileira. Não tem mais funcionalidade. A aposta atual dessa elite é o Tarcísio Freitas. Que também é discípulo da seita do boné MAGA. Aliás, qual será a posição dele diante do impacto do tarifaço de Trump/Bolsonaro?


O Rio Grande do Norte também sentirá o impacto dessas medidas?

O nosso estado – a despeito da pequena representatividade econômica no contexto do agro nacional – não deixará de sentir os efeitos das ações de Trump/Bolsonaro. Até porque boa parte da pauta de exportações do RN – frutas, pescados, sal marinho, etc – tem relação direta com os EUA. Isso significa que a ação do bolsonarismo atingirá fortemente a economia no estado, caso seja consumada. A sociedade potiguar certamente está no aguardo de um posicionamento das lideranças empresariais do estado.  A posição dos bolsonaristas locais já conhecemos: mais do que apoiadores, são cúmplices desse crime de lesa pátria.


*Com informações do Saiba Mais

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Sobre mim

Fernando Mineiro foi eleito deputado federal pelo Rio Grande do Norte (RN) em 2022, com 83.481 votos. Em sua trajetória política, cumpriu quatro mandatos como vereador na Câmara Municipal de Natal e outros quatro como deputado estadual na Assembleia Legislativa do RN.

 

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