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De olho na História ou o Bolsonarismo é o filho pródigo do conluio que cassou Dilma

Atualizado: Set 12

Por Fernando Mineiro


O Bolsonarismo - versão atualizada do fascismo tupiniquim - não surgiu como um raio em um céu azul. Ele é mais um dos resultados dos permanentes embates político-culturais que sempre marcaram as disputas de rumos da sociedade brasileira.


Em nossa breve República (para não citar o período colonial) não foram poucas as lutas em defesa da democracia em seu sentido mais amplo: político, econômico, social e cultural. Lutas de resistência aos rumos dados ao Brasil pelas nossas elites, sabidamente conservadoras e reacionárias.


Experts em realizar transições pelo alto, "mudando tudo para que tudo fique como está" as classes dominantes nacionais, sempre alinhadas a interesses internacionais, impuseram à sociedade brasileira mais anos sob regimes conservadores do que os desejados e necessários períodos democráticos. A diferença é que estamos conhecendo esse momento de tensionamento político "ao cru", diferente dos conhecidos pelos livros de História.


Por aqui, mesmos os pequenos e tímidos avanços que representem mudanças no status quo são combatidos e interditados de forma implacável. O último período de conquistas democráticas durou 31 anos. Iniciado em 1985 com o "fim" da ditadura militar foi enterrado em 2016, com o golpe que depôs Dilma Rousseff, abrindo a temporada de retrocessos que estamos vivenciando. Bastaram cinco anos entre a " Ponte para do Futuro" do Temer até os dias de hoje, quando o Congresso Nacional aprova tudo ao gosto da dupla Bolsonaro e Guedes, para serem destruídos os frutos das principais conquistas da sociedade brasileira nas últimas décadas, em todas as áreas.


Assistimos hoje o que foi planejado e executado no último grande pacto das elites nacionais inconformadas com os resultados das eleições presidenciais de 2014. O conluio para a interdição das mudanças em curso promovidas pelos governos do PT pariu o bolsonarismo, em 2018.


Expressão local de um movimento de caráter internacional, o fundamentamentalismo bolsonarista é resultado do assassinato da Política, vale dizer, da Democracia. Por aqui, a negação da Política teve seus primeiros movimentos de massas em 2013, com a apropriação das manifestações de ruas que tomaram conta do país sob a bandeira do "contra tudo que está aí", incentivadas pela grande mídia, com transmissões ao vivo pela redes de televisão, em especial a Globo.


A insatisfação fabricada contra a política naquela época foi providencial para que os derrotados nas eleições de 2014 emparedassem, desde o início, o segundo Governo Dilma, desencadeando o movimento que culminou com seu impeachment, em 2016.


O golpe contra Dilma foi um dos mais vergonhosos episódios da História do Brasil e seu script veio a público com a divulgação, em maio de 2016, da gravação da conversa do então Ministro do Planejamento, senador Romero Jucá (PMDB - RR) e Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro.


O que vivemos hoje é a sequência do "grande acordo pra botar o Michel, com Supremo, com tudo". A aparição de Temer em Brasília, na quinta passada, e a carta que ele ditou para Bolsonaro assinar é a melhor tradução da continuidade histórica entre o golpe contra a Dilma e os acontecimentos atuais.


A Operação Arrego que fez Bolsonaro dar um fraquejada no enfrentamento com o STF e demais poderes fala por si só. Temer - responsável pela indicação do Alexandre Morais para o STF - não foi a Brasília a passeio. Foi colocar uma tornozeleira política no Bolsonaro a pedido das mesmas forças econômicas e sociais que o colocaram na presidência no lugar de Dilma. Afinal, para que a agenda dessa gente continue sendo aprovada pelo Congresso Nacional, Bolsonaro não pode extrapolar em suas diatribes. O recuo verborrágico do Bolsonaro se insere nesse contexto de interesses.


Ver o mesmo Supremo que chancelou o golpe de 2016 e a vitória de Bolsonaro em 2018 ao interditar a candidatura do Lula ser um dos alvos preferidos da horda bolsonarista nos últimos dias nos faz lembrar o ditado:  "Crian cuervos y te sacarán los ojos".


Os mesmos olhos que nos ajudam a ver o  passado recente também devem mostrar que é preciso enxergar o óbvio: a necessária construção de uma nova correlação de forças na sociedade brasileira.  E isso passa, necessariamente, pela formação de uma frente contra o fascismo, em defesa da democracia e da vida, orientada por um plataforma programática mínima que tire o Brasil da atual crise, respeitadas as conhecidas divergência políticas presentes entre as organizações e lideranças políticas, sociais, religiosas, etc em relação às eleições de 2022. Até porque 2022 só acontecerá se o fascismo for derrotado. Nas ruas e nas urnas.

As nossas classes dominantes já mostraram ao longo de nossa História do que são capazes. Não as subestimemos.

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