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Hospital da mulher será revolução no acolhimento para mulheres, destaca Mineiro

O próximo dia das mães, em 2023, será diferente de todas as outras celebrações da data para as mulheres de Mossoró e região. O Hospital da Mulher já está em fase final de construção – 80% concluído - e deve começar a operar até dezembro. Com uma estrutura de fazer inveja aos demais estados do Nordeste, a unidade terá 168 leitos focados na atenção materno-infantil, ginecológica e obstétrica de média e alta complexidade, além de equipamentos de ponta. O investimento é de R$ 134 milhões para obra física e equipamentos. Os recursos são do empréstimo firmado pelo Governo do Rio Grande do Norte com o Banco Mundial através do projeto Governo Cidadão.



Além de Mossoró, mulheres de mais de 60 municípios da região serão atendidas no hospital.


Quando vê o atual estágio do hospital, o pré-candidato a deputado federal Fernando Mineiro (PT) fecha os olhos e enxerga um filme passando em sua cabeça. Em 2019, quando assumiu a coordenação do projeto Governo Cidadão, a obra tinha passado por dois governos – Rosalba Ciarlini e Robinson Faria – andado apenas 20% e era considerada pelos próprios técnicos do Banco Mundial como uma obra perdida em razão dos inúmeros problemas do projeto. Alguns entraves eram inacreditáveis e difíceis de aceitar. O projeto de climatização do hospital, por exemplo, foi feito com dados da temperatura de Natal, e não de Mossoró, onde a unidade está sendo construída.


Passados três anos, inúmeras conversas, retrabalhos e muita disposição, Mineiro priorizou a obra, conseguiu unir as equipes de várias secretarias e venceu os problemas. Em busca de uma vaga na Câmara Federal em 2023, ele tem dito que o tempo em que passou no Governo Cidadão lhe deu outro olhar sobre a administração por ter sido também uma aula de gestão pública.


Responsável direto pela retomada do hospital da Mulher, Fernando Mineiro fala nesta entrevista porque não abandonou a obra, como a maioria dos gestores teriam feito em razão dos problemas, o papel dele nesse processo e qual será a importância deste hospital para o Rio Grande do Norte.


Qual a importância do hospital da Mulher para o Rio Grande do Norte?


Fernando Mineiro: É de uma importância imensurável, não só porque vai atender as mulheres de Mossoró e região, mulheres que moram nos mais de 60 municípios daquela região, não é só por isso. Esse atendimento e acolhimento que será feito às mulheres, a resolutividade na saúde das mulheres, terá um impacto na saúde como um todo. E principalmente porque é um hospital escola. Além de preencher uma lacuna, que é a ausência de uma politica de atenção à saúde da mulher, o governo da professora Fátima está respondendo a isso. Então para mim será uma revolução importantíssima porque vai atender as necessidades das mulheres que recorrem ao serviço público de saúde.


Você tem dito que será um hospital também para futuras gerações da área da saúde. Porquê?


Não só na saúde. É um hospital escola que vai formar gerações em várias áreas, na gestão hospitalar, no setor de economia hospitalar, várias áreas vão passar por ali. É uma transformação muito importante na área da saúde. E tem um efeito colateral muito importante, que é o impacto que o próprio equipamento do hospital terá na expansão urbana de Mossoró. O hospital está instalado na UERN e vai puxar aquela região para ser um centro de referências de serviço da saúde de Mossoró e do Estado.


Quando você chegou ao projeto governo Cidadão, em 2019, como encontrou a obra, quais os problemas haviam e como você conseguiu solucioná-los?


A obra era dada como perdida, estava apenas 20% concluída e tinha um grande problema, que eram os erros do projeto. Pra você ter um ideia a questão da drenagem, onde o hospital estava instalado, não foi levada em consideração, além da climatização. Os dados usados para fazer o projeto de climatização foram os dados da temperatura de Natal, o que é bem diferente de Mossoró. Isso tem um impacto em toda a estrutura do hospital. A obra foi paralisada para fazer a adequação do projeto, com uma gravidade a mais: a empresa que fez o projeto arquitetônico e de engenharia não existia mais, foi um consórcio de São Paulo. Então imagina o que é reconstruir, ir atrás dos responsáveis, trabalho de convencimento. Contratamos uma empresa para levantar tudo o que existia, analisamos o que tinha sido feito e o que deixaram de fazer para apresentar um novo projeto com as adequações. E só foi possível porque conseguimos envolver outros órgãos. Além da equipe do Governo Cidadão, teve um papel fundamental a equipe da Sesap e principalmente a equipe da secretaria de Infraestrutura, com fiscal, secretário nos ajudando. E também o Banco Mundial. Para você ter uma ideia do lugar que esse projeto ocupa no processo de empréstimo, o Banco contratou uma especialista para acompanhar todo o processo de adequação do hospital. Com esse trabalho articulado, conseguimos vencer essa etapa.


E a fiscalização dos órgãos de controle?


A continuidade do hospital da Mulher foi fruto de um Termo de Ajustamento de Gestão, instrumento que o Tribunal de Contas do Estado possibilitou, o Ministério Público junto ao TCE acatou e o plenário do Tribunal aprovou por unanimidade. Então digo que essa é uma obra que tem várias mãos, todos os órgãos se envolveram bastante, o próprio Banco Mundial, os técnicos do Ministério da Economia... os órgãos da secretaria de assuntos internacionais do Ministério da Economia torciam muito para que a gente resolvesse a situação. Tanto é que o empréstimo vencia em março de 2021 e foi prorrogado até dezembro de 2022.


Geralmente, no Brasil, obras com tantos problemas são “esquecidas” ou deixadas paradas, ainda mais vindas de gestões anteriores. Porquê com o hospital da Mulher foi diferente?


Não foi só o hospital da Mulher, foram todos os investimentos do projeto Governo Cidadão que rodam com recursos do Estado oriundos do empréstimo do Banco Mundial. Desde o início, entendemos que esse é um programa de Estado, e não de governo. Começou em Rosalba, que não concluiu, passou para o Robinson, que também não deu conta, e chegou a nós. Todas as ações, sem exceção, precisavam de adequações. Meu foco, quando assumi como coordenador, foi seguir as orientações da governadora e prioritariamente destravar todas as obras. E segundo: envolver os colegas de governo. Eu não fiz nada sozinho: eu coordenei uma força-tarefa gigantesca envolvendo técnicos do projeto Governo Cidadão e envolvendo colegas de governo. Só foi possível destravar o hospital da Mulher com essa ação integrada, eu jamais conseguiria sozinho se não tivesse participação dos colegas.


Mudou a concepção de como encarar essas obras, então?


Isso. Mudou essa concepção de entender que se trata da única carteira de investimentos do Estado. Entendemos que era uma ação de Estado, e não de A, B ou C. Se a gente não tivesse conseguido, poderíamos ter dito que a culpa era dos governos passados e deixar que eles respondessem por isso. Mas não é esse o nosso entendimento. Conseguimos destravar todas as ações que estavam paradas era uma ação de Estado. Tanto que o Banco prorrogou o empréstimo, que vencia em março de 2021, e estamos com novas tratativas do Banco para fazer novos empréstimos.


Seguindo o cronograma que você deixou na secretaria essa obra vai até quando ? E o principal: quando é que as mulheres de Mossoró e região terão a estrutura à disposição?


A obra em si vai até julho e agosto. Mas além da estrutura física tem os equipamentos e há várias licitações em curso. O programa encerra em dezembro e certamente o hospital vai começar operar no final do ano. Porque é um hospital com 168 leitos, de uma qualidade extraordinária. Pra funcionar plenamente vai levar um tempo de implantação na carteira de serviços de toda a questão de gestão.


E como vai funcionar? Vai haver uma gestão compartilhada entre o Governo e a UERN?


Há tratativas da Sesap com a UERN para discutir algumas questões, mas quem vai administrar diretamente o hospital é a Sesap. O Governo está discutindo para ver qual será o melhor modelo de gestão, mas a administração é da Sesap, que está se preparando para isso. A UERN é parceira e acompanha essa ação com a Sesap.


Você acredita que o hospital da Mulher levará a saúde das mulheres de Mossoró e região para outro patamar?


Se dúvida, aquela é uma região que tem muitas demandas para a saúde da mulher. E esse vai ser o maior hospital de toda a região Nordeste voltado exclusivamente para questão da saúde da mulher.


É possível dizer então que o próximo dia das mães, em 2023, será comemorado por muitas mães no hospital da Mulher?


E com uma atenção muito especial porque nosso Governo, através da Sesap, e cumprindo a determinação da governadora Fátima, tem um programa de políticas de atenção às mulheres. O hospital será o carro-chefe disso. Evidente que no próximo dia das mães de 2023 o hospital estará funcionando para dar a dignidade que as mães merecem.

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