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Fátima Bezerra: “Nós, mulheres, não devemos nos contentar em ser a exceção”

Atualizado: Out 16

Já seria muito se Fátima Bezerra fosse a única governadora em exercício no Brasil – o que ela, em pleno 2021, impressionantemente, é. Mas Fátima desafia um tanto mais o establishment nacional e vive, sem nunca ter omitido isso, como uma mulher que ama mulheres. Fato escancarado, sem que lhe fosse indagado, no fatídico 2 de julho, por causa da saída do armário de outro político. Nesta entrevista, a primeira que a gestora do Rio Grande do Norte concede depois que seu nome foi parar nos trend topics do Twitter, ela reafirma suas posições e diz que estado nenhum engata o progresso sem a diversidade, a educação e o combate à violência de gênero como bússola.



Foto: Elisa Elsie


Um político vai a um programa de TV e sai do armário em rede nacional: “Sou gay e amo outro homem”, diz o governador do Rio do Grande do Sul, Eduardo Leite. Na mesma noite de 2 de julho de 2021, instantes após a revelação, outro homem da política, o ex-­­deputado federal Jean Wyllys, descortina para o Twitter uma nova história, a da petista Fátima Bezerra. Única mulher na legislatura atual a governar um estado brasileiro e, de acordo com Jean, alguém que nunca tragou a atenção da mídia para a sua orientação se­xual. “Que destaque foi dado por essa mesma imprensa ao fato de Fátima Bezerra, governadora do Rio Grande do Norte e aliada desde sempre da comunidade LGBTQIAP+, ser lésbica? Nenhum”, foi o tuíte que levou o nome de Fátima aos trend topics da rede social, convocando-a a se posicionar. “Na minha vida pública ou privada, nunca existiram armários”, escreveu implacável, com a esperança de findar o barulho de uma vez por todas. Inclusive os próximos, que viriam – ela não tinha dúvida alguma – com os insistentes pedidos de entrevista (o nosso foi o único aceito), as mensagens torrenciais na internet e o ódio habitualmente destinado às mulheres, ainda mais quando assumidamente lésbicas. Porque sim, segundo ela, a violência tende a ser ainda mais pungente se a pessoa não demonstra medos. “Eu sei o que é a dor do preconceito, e sei como agem para minar a gente”, diz na conversa por videochamada que tivemos. “Atacam em cima da roupa e da maquiagem, ridicularizando. E em cima do tom de fala e da minha orientação [sexual]. A violência é usada para tentar me desqualificar como gestora. Acontece que, não importa o que digam, nunca deixei de fazer aquilo em que acredito e que me dá felicidade. Não sou de me omitir, me mantenho na linha de frente defendendo as causas que dizem respeito à liberdade. Isso não fez nem fará de mim uma governadora menor. Me faz, na verdade, mais humana do que aqueles que me atacam.” Fátima não se alonga quando o assunto é sua vida íntima. O silêncio a toma assim que a reportagem tenta ir mais fundo – queremos saber se ela tem, atualmente, uma companheira, e se aceitaria contar sobre o relacionamento, como fez Eduardo Leite ao jornalista Pedro Bial. Guia, uma das assessoras, adverte que “podemos falar do governo, do combate à pandemia, dos planos para educação e do enfrentamento ferrenho que a gestão de Fátima tem feito sobre a violência contra as mulheres”, mas que a política não abrirá sobre “namoradas e romances”. Fátima, então, interrompe Guia: “É que preferia contar do que estou fazendo como governadora. Não me leve a mal, não estou fugindo da pergunta. Não posso falar só por mim. E, veja, não estou falando da minha companheira porque nem tenho companheira”. Assunto encerrado.


Filha de uma parteira e de um agricultor que mais tarde se tornou comerciante de colchões, Fátima nasceu na pequena Nova Palmeira, na Paraíba, em maio de 1955. Migrou ainda adolescente para a capital do Rio do Grande do Norte para estudar e fugir da seca de 1970. Foi a primeira dos cinco irmãos a entrar na faculdade. Cursou pedagogia porque queria ser professora – e foi, por anos; aliás, gosta de dizer que foi. Tem convicção de que não teria enveredado para a política se não fosse a educação. “Uma me colocou na outra, elas se confundem muito. Quando você mergulha genuinamente nos preceitos da educação, é inevitável passar pela política. A boa política prioriza o investimento em educação”, diz, convicta.

Discípula de Paulo Freire, Fátima acredita que a educação é um ato de amor, e que escolas e professores bem cuidados podem ajudar na formação de sujeitos transformadores da realidade. Bem por isso, está implementando o Nova Escola Potiguar, programa de fôlego que investirá, até o fim de 2022, R$ 400 milhões na educação básica do Rio Grande do Norte. “Estamos trabalhando num novo conceito, seja na arquitetura sustentável das escolas, com energia solar fotovoltaica e reúso de água, seja na proposta pedagógica do ensino integral, com protagonismo dos alunos, formação de professores e mediação tecnológica no processo ensino-aprendizagem.” No dia desta entrevista, a governadora participou de uma live com integrantes da Assembleia Legislativa e do Ministério Público. O tema foi "conscientização e combate à violência de gênero”, explica. Em 2020, o Rio Grande do Norte esteve entre os três estados que conseguiram diminuir o número de feminicídio. E isso em um tempo de isolamento social, quando mulheres se viram obrigadas a conviver sem descanso com seus agressores. “Não foi por acaso que baixamos os feminicídios, enquanto a grande maioria dos estados fez crescer. Criamos aqui uma secretaria de mulheres, e com ela produzimos um monte de estudos de combate a esse crime. Agora também temos uma delegacia de atendimento às mulheres que funciona 24 horas, e anunciei no Agosto Lilás, dentro do plano de reorganização da Polícia Civil, mais quatro. Temos ainda a delegacia virtual, a Patrulha Maria da Penha [que faz visitas periódicas a mulheres em situação de violência doméstica a fim de verificar o cumprimento das medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha] e a Casa Abrigo. O Rio Grande do Norte não tinha uma dessas para acolher as vítimas [de violência doméstica] e seus filhos. Essa Casa tem equipe multidisciplinar, porque a vida das mulheres importa. Isso não é discurso não; temos que dizer que a vida delas importa com ações concretas”, detalha Fátima. Na conversa, ela, que, além de governadora, já foi professora, dirigente sindical, deputada estadual, deputada federal e senadora, relembra sua trajetória – política, mas não só. Fala de sua amizade próxima com o ex- presidente Lula, que gostaria de ver Luiza Trajano compondo chapa com ele no pleito de 2022; dos desafios que teve no enfrentamento à pandemia; dos machismos e da homofobia que atravessaram – e ainda atravessam – sua história; e de suas apostas em políticas públicas voltadas a diversidade, educação e gênero. MARIE CLAIRE Provavelmente você já se cansou de responder a esta pergunta, mas não tenho como não fazê-la: como se sente sendo a única governadora deste país? FÁTIMA BEZERRA Pior que não cansei, sinto que é importante responder sempre que puder. Olha só, claro que só tenho a agradecer a generosidade do potiguar e dizer o imenso orgulho que tenho desse povo que me elegeu governadora, a primeira de origem popular do estado, quebrando um ciclo de décadas de governos de perfis oligárquicos, tradicionais e conservadores. Agora, ao mesmo tempo, ser a única mulher é motivo de muita reflexão, de perguntar por que em 27 estados da federação só há uma governadora. O que é isso?

“Quando você mergulha genuinamente nos preceitos da educação, é inevitável passar pela política”

MC Qual é a resposta que dá para si? Entendo que é motivo de reflexão, mas também seria de indignação? FB Não devemos nos contentar em ser a exceção, concorda? Agora veja, quando você olha para o fato de o Rio Grande do Norte ser o único estado que tem uma mulher no governo, tem que levar em consideração fatos históricos. Temos um protagonismo político das mulheres, foi aqui que as mulheres exerceram o voto pela primeira vez. Foi aqui também que elegemos a primeira deputada estadual e tivemos a primeira prefeita da América Latina. Mas tudo isso não nos livra da luta, ou eu não seria a única. MC Quero falar sobre a declaração do Eduardo Leite (PSDB-RS) no programa Conversa com Bial. A internet se dividiu entre “que bom que um político se disse gay publicamente” e “isso é manobra política”. Como a senhora viu a declaração dele? FB Para mim, ele teve um gesto importante e por isso ofereci minha solidariedade, especialmente em razão dos ataques que viesse a sofrer, porque sei o que é isso. MC A senhora, então, já sofreu ataques homofóbicos? FB Já sofri não, continuo sofrendo. Sei muito bem o que é a extensão dessa dor, como ela pode ser cruel. Ainda mais hoje, nesses tempos, com esse fenômeno das máquinas fraudulentas de mentira, calúnia e difamação... MC Fala de fake news? FB Exatamente. Tenho sido duramente atacada. E há também os ataques de natureza misógina, pelo fato de eu ser mulher. Na verdade, eu diria que a violência maior que tenho sofrido é a de gênero. De tentar desqualificar a gente. Fazem caricaturas, criam versões como se não tivéssemos capacidade. Aí eles vêm com tudo, com a minha condição de mulher, do ponto de vista da orientação sexual, vêm com todos esses preconceitos e cheios de ódio. Eu não vou citar exemplo porque não vale a pena repetir a violência.


MC Quando o Jean Wyllys tuitou sobre a senhora, ele também citou a sua caminhada “desde sempre” pelas populações LGBTQIAP+. Queria ouvi-la sobre isso. FB De fato, sempre estive na linha de frente das pautas que a gente chama de pautas de caráter humanitário e civilizatório, que é respeitar o direito de as pessoas serem felizes, seja no campo da sua orientação sexual, da religião ou ideologia política. Então, para mim o mais importante é assumir posições contra todo e qualquer tipo de opressão. Eu jamais poderia me mover por egoísmo. Isso não faz parte do meu DNA. A minha família é de origem pobre, passamos por muitas dificuldades. Vi a comida ser racionada na minha casa em épocas de seca braba. Minha mãe dizia que eu não podia repetir o prato porque senão meu irmão ficaria sem. Olha, quem passa por situações como essa adquire uma sensibilidade forte. MC Foi nessa família que aprendeu sobre alteridade, liberdade e respeito ao próximo? Como elas lidaram com sua orientação sexual? FB Na minha família, os valores da solidariedade foram muito defendidos. A gente era muito pobre, mas sabe a coisa mais bonita que eles me ensinaram? O amor ao próximo com atitudes concretas. É que eles dividiam o pouco que a gente tinha com os que tinham menos do que nós. Porque você sabe que tem isso, tem os pobres e tem os ainda mais pobres. Prefiro não responder a segunda pergunta.


MC Entendo. Em algum momento, algum marqueteiro político ou assessor, alguém chegou para a senhora e falou “a sua orientação sexual não pode ficar nítida, não pode ser vivida livremente porque isso vai atrapalhar a política”? Neste momento, Guia, uma das assessoras, pede que não continuemos o assunto. FB É que preferia contar do que estou fazendo como governadora. Não me leve a mal, não estou fugindo da pergunta. Quem me conhece sabe que tenho uma coisa dentro de mim, respeito muito as questões das pessoas. E não posso falar só por mim, tenho que olhar do ponto de vista do outro, o outro tem suas inseguranças. MC Quando a senhora fala do outro, está falando da sua companheira? FB Não, não estou falando da minha companheira porque nem tenho companheira. É isso, sabe. Tem uma série de questões que envolvem suscetibilidades. Quando a gente fala suscetibilidade é porque envolve os outros. Eu acho que o mais importante é deixar claro que nunca me omiti. Inclusive, basta olhar os meus programas de governo. A gente tem um compromisso com a luta em defesa da diversidade, o combate à LGBTfobia. O racismo, o machismo, isso não se coaduna com a tese do mundo civilizado que queremos.


MC Pode nos contar de ações do governo nesse sentido? FB Instalamos um conselho da comunidade LGBTQIAP+ aqui no Rio Grande do Norte. Outro exemplo: aqui tem uma secretaria de mulheres, mas não é feita como antigamente, sem estrutura e sem orçamento. Tem uma secretaria de mulheres, da juventude, da igualdade racial e dos direitos humanos. Mais um exemplo: a questão de gênero que está explodindo no país, principalmente nesses tempos de pandemia, que fez com que a mulher tivesse que ficar ainda mais em casa, portanto, perto do agressor. Graças a Deus, até na contramão do que tem acontecido no país afora, em 2020 nós diminuímos o número de feminicídio. Não podemos de maneira nenhuma deixar naturalizar essa violência contra as mulheres, isso não é mimimi. Precisa ser enfrentada com políticas de prevenção, de promoção da vida das mulheres. Tenho defendido o programa Maria da Penha nas escolas. Precisamos desconstruir, desde a idade escolar, esses mitos. MC Tipo “em briga de marido e mulher não se mete a colher”? FB Exatamente. Tem que meter a colher sim, o Estado tem que estar preparado para fazer o seu papel, com base na legislação. As mulheres vieram ao mundo para ser felizes, para ter uma vida com dignidade e direitos, e ao lado dos homens, se assim quiserem. MC O programa Maria da Penha Vai à Escola já está implementado? FB Já. O professor tem o dever de fazer esse debate para que a gente possa desconstruir todos esses conceitos malditos de intolerância, seja de que natureza for. Temos que trazer para dentro da escola o encantamento, do ponto de vista de coletivamente a gente trazer a defesa dos valores da solidariedade, da cooperação, do afeto, do respeito ao outro. E isso aqui é uma agenda que tem que estar dentro da escola, pelo que significa a escola. MC Pensando no governo Bolsonaro e no fato de a senhora ser governadora durante esse período: como vê a forma como a educação está sendo tratada? FB É uma tragédia. Uma das áreas mais afetadas nesses tempos de governo autoritário que nós estamos vivendo é a educação. Há mais de um ano que nossos estudantes estão sem atividades presenciais. Tudo em decorrência dessa pandemia devastadora que se agravou mais ainda pelo negacionismo adotado pela maior autoridade do país, que não apostou na vacina. Sem contar o incentivo à aglomeração, receitar remédio que não tinha comprovação científica. Você não sabe o quanto me aperta o coração de professora ver nossos estudantes, em uma parcela considerável, que passaram aí mais de um ano sem ter acesso a conteúdo nenhum, porque a pandemia escancarou as desigualdades regionais existentes em nosso país. Tem muitos garotos e garotas que não têm essa plataforma digital que temos aqui.


MC E quanto ao Ministério da Educação, governadora? FB Simplesmente largou a educação à própria sorte. Quando abrem a boca é para dizer o que não deveriam. Como a recente declaração do ministro [que disse] que não precisa expandir as vagas na universidade. Que heresia é essa? A taxa de inserção dos nossos jovens no ensino superior é muito baixa. Nós podemos [olhar] aqui nos países vizinhos da América Latina, não vou nem falar da Europa. Quando você pega a população escolarizada, de 17 até 25 anos, nossa taxa está em torno de 21%. Os países vizinhos estão acima de 30%, 40%. Primeiro que você não pode trabalhar com isso de “agora vou fortalecer só uma modalidade da educação”. A gente precisa investir na educação como um todo. A educação foi uma área duramente afetada, programas que vinham dos governos anteriores foram descontinuados.


MC Por exemplo? FB Programas importantes nessa área de formação inicial e continuada. Todas as instâncias de debate com a sociedade, como o Fórum Nacional da Educação, que foi extinto. O autoritarismo dentro das nossas universidades, dos institutos federais, passando por cima da própria Constituição, não respeitando a escolha da comunidade e nomeando interventores. Sem falar no ponto de vista orçamentário. Os institutos federais, assim como as universidades, pedindo socorro – e eles estão pedindo socorro não para investimento, essa é uma palavra proibida. Pedindo socorro para custeio, para pagar água, luz, para manter o mínimo de bolsas. Um governo que elege Paulo Freire como inimigo não precisa dizer mais nada. É a cara do obscurantismo. Participei dos governos de Lula e Dilma. Preciso registrar o papel do ministro Fernando Haddad, um dos melhores que esse país já teve. Eu estava lá, participei intensamente do Prouni, do Refis, que permitiu que as mulheres quilombolas, indígenas, marisqueiras e negras entrassem nas universidades.

"Eu torcia pelo Lula presidente tendo como vice Luiza Trajano. É uma mulher de protagonismo, tem responsabilidade social, sensibilidade com a defesa da justiça social. É respeitada nacionalmente"

MC Como é a sua relação com o ex-presidente Lula? FB Acima de tudo, marcada por muito afeto. Somos amigos. Não tenho dúvida do imenso carinho que o presidente Lula tem por mim. E ele sabe que a recíproca é verdadeira. Para você ter uma ideia, a minha eleição em 2002 para deputada federal, no mesmo período em que ele se elegeu presidente da República, quebrou um paradigma. Porque até então o Rio Grande do Norte nunca tinha eleito uma pessoa para a Câmara com um perfil como o meu. Até então as vagas eram ocupadas predominantemente pelos filhos, herdeiros diretos das oligarquias aqui do estado. Eu quebrei essa tradição. E fui a mais votada.


MC Sobre o pleito presidencial de 2022, imagino que a senhora veja o presidente Lula como um candidato. Me pergunto sobre essa chapa presidencial e sobre a importância de ter um nome de mulher para compô-la. Tem chances de esse nome ser o da senhora? FB Chance zero. MC Não faz parte dos seus planos? FB Não. Minha missão continua no Rio Grande do Norte. Mas quero dizer que compartilho inteiramente da sua reflexão, e que possamos ter a presença de mulheres na chapa presidencial.

“Mulheres vieram ao mundo para ser felizes, para ter uma vida com dignidade e direitos. E ao lado dos homens, se assim quiserem”

MC Quem seria a mulher para compor chapa com Lula? FB Claro que isso não está em discussão, ela própria já disse que não, mas eu torcia pelo Lula presidente tendo como vice Luiza Trajano. É uma mulher de protagonismo, tem responsabilidade social, sensibilidade com a defesa da justiça social. É respeitada nacionalmente. MC Estava olhando as pesquisas eleitorais que já começaram. Não há nomes de mulheres. Os institutos de pesquisa nem sequer as colocam no jogo. Tem reflexo aí do machismo dos partidos, que alcança os institutos? FB Só tem, infelizmente. Quando olhamos no Parlamento federal, num total de 513 cadeiras, nós não conseguimos passar de 15%, temos 77 deputadas federais. No Senado tem 81 parlamentares, temos 12 senadoras. Quando fazemos um panorama em nível mundial de participação das mulheres na política, o Brasil está na 132ª posição em um ranking de 193 países. Ficamos atrás de países como Cuba, Bolívia, México, Costa Rica. É o reflexo do patriarcado, de que as mulheres foram criadas para ficar em casa. Quem cuida da casa? Dos filhos? E dos idosos? Nossa sociedade foi se moldando à luz desse modelo, que se reflete nos vários campos, inclusive na política. A maioria dos partidos tem perfil machista.


MC O seu partido também tem? FB O PT teve a sensibilidade de compreender a importância da presença das mulheres na política. Foi um dos primeiros a estabelecer cotas. Na direção do PT, metade tem que ser ocupada por mulheres. Devemos lutar para que a legislação eleitoral avance para estabelecer um percentual de cadeiras no Parlamento, a exemplo do que já existe em outros países. Não basta serem candidatas. MC Quer dizer 50% de mulheres e 50% de homens? FB É o que defendemos. Afinal, somos mais da metade da população. Não é fácil você, de repente, aspirar a ser candidata, depois manter essa candidatura e, por fim, conseguir ser eleita. Precisa de uma sustentação financeira para sua campanha, porque não basta dizer que sou candidata, preciso ter os instrumentos, os meios para que as pessoas possam ouvir minha voz, para que eu possa falar da minha história e, sobretudo, das minhas propostas. Considero a sub-representação das mulheres na política como um dos maiores desafios de natureza civilizatória que temos. Mas não quero deixar aqui uma mensagem de pessimismo, tenho de verdade esperança. Como dizia Paulo Freire, não a esperança de ficar sentado, mas a esperança de lutar.



Matéria originalmente publicada aqui.

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