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A terceira vez

Por Fernando Mineiro


Desde que Lula reconquistou sua cidadania política e apresentou-se como alternativa viável no tabuleiro político-eleitoral de 2022, setores da mídia hegemônica tentam emplacar uma candidatura que eles denominaram de terceira via.



Apresentada à sociedade através de um manifesto lançado em 31 de março de 2021, a terceira via chegou a ter 11 nomes. A despeito das tentativas e animação dos donos dos passes, o time não caiu no gosto da torcida, até o momento.


Isto porque uma grande parcela da população que se interessa pelo jogo eleitoral - a parte mais atenta aos movimentos da política e/ou a que sente na pele os efeitos do desgoverno em curso - percebe que os jogadores que hoje vestem a camisa do time da terceira via foram titulares absolutos do bolsonarismo futebol clube. Ou, quando não, fugiram do campo e preferiram bater perna pelas calçadas de Montmartre. Por isso mesmo estão recebendo cartão vermelho.


A maioria das pesquisas eleitorais - independente das especificidades metodológicas de cada uma - traz o nome de Lula em primeiro lugar, com razoável distância para o segundo colocado.


Levantamento de Intenções de votos realizado pela Quaest/Genial Investimentos e divulgado nessa quarta-feira, 12/01, traz os números da primeira pesquisa do ano registrada no TSE, como todas devem ser daqui pra frente, de acordo com a legislação em vigor.


Lula (PT) tem 45% das intenções de votos, seguido de Bolsonaro (PL) com 23%, Sérgio Moro (Podemos) com 9%, Ciro (PDT) com 5%, Doria (PSDB) com 3% e Simone Tebet (MDB) com 1%. Rodrigo Pacheco (PSD) e Luiz Felipe (NOVO) não pontuaram. Nas simulações para o segundo turno, Lula venceria todos os adversários por uma margem de votos superior a 20%.


Se a eleição fossse hoje e as intenções se transformassem em gesto, ops, votos, estaria sacramentado que o povo, ao invés da terceira via, escolheria mesmo era o Lula pela terceira vez.


Ao contrário do que querem nos fazer crer, o nosso povo tem memória, compara os governos e reconhece a abissal distância entre os dois governos Lula e isso que está aí.


Até mesmo o mais radical adversário político do PT, se analisar os fatos com um mínimo de honestidade intelectual, há de reconhecer que a vida do nosso povo foi melhor entre os anos 2003 e 2014. Este foi um período de transformações importantes na base da sociedade brasileira, historicamente marcada por profundas desigualdades econômicas, sociais e culturais. Essa é a razão principal da saudade que o povo tem do Lula.


Mas, entre a intenção (de voto) e o gesto (voto na urna) temos ainda 263 dias. E o jogo será duro e tende a se acirrar porque os cartolas que patrocinaram o time bolsonarista - a elite empresarial urbana e rural, o setor rentista, o conglomerado da mídia, o militarismo saudoso da ditadura, os setores conservadores das instituições jurídicas, os fundamentalistas das igrejas, a maioria venal do Congresso - estão aí vivinhos da silva, salivando ódio e maquinando como não voltar para onde não deveriam ter saído: o esgoto da história.


Para garantir que a maioria das intenções apontadas nas pesquisas se transforme em votos quando chegar a hora, o caminho da terceira vez é o mesmo de sempre: entender que o jogo só está começando, sair da arquibancada, vestir a camisa 13 e ir para o meio do campo onde o jogo é jogado de forma bruta, desigual e sem tréguas.

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